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[Livro] A Revolta de Atlas

Título: A Revolta de Atlas (Atlas Shrugged)
Autora: Ayn Rand (Alisa Zinov’yevna Rosenbaum)
Editora: Sextante

Throughout the centuries there were men who took first steps down new roads armed with nothing but their own vision. Their goals differed, but they all had this in common: that the step was first, the road new, the vision unborrowed, and the response they received- hatred. The great creators- the thinkers, the artists, the scientists, the inventors- stood alone against the men of their time. Every great new thought was opposed. Every great new invention was denounced. The first motor was considered foolish. The airplane was considered impossible. The power loom was considered vicious. Anesthesia was considered sinful. But the men of unborrowed vision went ahead. They fought, they suffered and they paid. But they won.

– Ayn Rand, The Fountainhead.

 

Você alguma vez na vida já pensou: “Estou cercado de imbecis” ?

Já faz muito tempo que li este livro, cometi o erro de querer terminar de lê-lo completamente antes de resolver fazer a análise sobre o mesmo. E no final do primeiro volume eu já possuía, colocando desta forma, substrato intelectual suficiente para fazer um post bem grande. Mas agora que já li a obra completa, a quantidade de material é tão grande que nem sei se o esforço de organizá-lo e expô-lo de uma forma clara, concisa e completa. Então vou falar apenas em termos genéricos, mas tentarei ser o mais objetivo possível.

Leia este livro.

Acho que seria difícil ser mais claro que isso. De qualquer forma, a história basicamente se trata de nossa sociedade, em um momento alternativo de sua história em que as pessoas mais capazes e inteligentes (sob o ponto de vista lógico) começam a simplesmente sumir, enquanto o governo começa a impor medidas “prol bem comum social” cada vez mais fortes, como eliminar patentes, limitar o direito à posses e outras coisas para “nivelar as oportunidades”. Não é de se espantar que a sociedade começa a passar por problemas, e que esta situação começa a entrar em um círculo cada vez mais destrutivo. Pensando friamente, a história em si não é lá grande coisa. Não existem tramas complexas, grandes aventuras, momentos de tensão, plot twists ou mesmo uma grande surpresa. Ela é bem tranquila, e segue silenciosamente como pano de fundo que não chama muita atenção.

Sim, a história per se é pano de fundo neste livro. Este livro na verdade é a defesa ao bem-estar solipsista, é o ensaio sobre os direitos intelectuais, os mandamentos do egoísmo objetivo. É o manifesto capitalista em forma de narrativa em prosa. O grande foco deste livro não é contar uma história, e sim defender um ponto de vista de forma não meramente didática teórica, e sim uma proposta de aplicação prática de seu oposto utilizando-se a imaginação criativa para propor suas consequências. Ou seja, é algo do tipo “Isso é o que acontece se você não fizer o que estou falando”.

Este é um livro que te faz pensar. E se você não quer pensar este livro é uma perda de tempo, mas como “não pensar” não faz parte dos direitos inalienáveis de todos os seres humanos, não existem muitos motivos para não lê-lo. Depois de tanto tempo lendo livros triviais, literaturas oportunistas e meros blockbusters, num terreno cheio de livros de auto-ajuda ocos e outras mídias ainda mais vazias, todas repetindo sempre a mesma ladainha sem parar, ler este livro é como… Bem, farei uso da metáfora usada pelo Dr. Sheldon Cooper: Imagine que você viveu por muitos anos em um planeta habitado, além de você, apenas por cachorros, e um dia finalmente você encontra outro ser humano.

Pensar sempre envolve estudar todos os pontos de vista. E principalmente suas réplicas.

Não estou dizendo que o livro é perfeito. Na verdade o discurso da autora possui alguns pontos soltos ou incompatíveis, e certas incoerências aparecem se você conseguir juntar algumas pontas do primeiro livro com o último, do segundo com o primeiro, etc. Ela não escapa de alguns estereótipos ou pontos extremos, como por exemplo o fato dos inteligentes serem verdadeiros super-homens perfeitos, enquanto os “vilões” do livro são tão ignorantes que chegam a nem parecerem humanos, se tornando caricaturas sem profundidade. Na verdade, os personagens todos são bastante planos, visto que a histórica como um todo (e consequentemente os elementos que ela contém) não é o foco principal do livro. Em certos momentos um certo ódio enrustido da autora fica meio aparente, e ela fica em alguns momentos repetindo muito a suas ideias, alongando-se demais no mesmo assunto. Na metáfora supracitada, imagine que ao finalmente você encontrar outro ser humano, você descobre que ele é um tremendo chato.

Mas o livro vence por ter uma linguagem clara e incisiva, não usa meio-termos, muito menos repete a ladainha de sempre. Ela não tem medo de expor suas ideias com firmeza. As ideias apresentadas são muito fortes, e para perceber qualquer ponta solta é necessário pensar muito. Este não é um livro de leitura casual. E como já me alonguei demais, vou colocar apenas um dos vários trechos brilhantes que marquei no livro, e um video que talvez fale mais do livro do que eu…

PS: Escrevi este post atropeladamente, deve estar cheio de erros… Mas depois eu vejo isso.

 

– Sabe, Dr. Stadler, as pessoas não gostam de pensar. E quanto mais problemas elas têm, menos querem pensar. Mas, por uma espécie de instinto, elas acham que deviam pensar e por isso sentem-se culpadas. Por esse motivo elas elas adoram e seguem qualquer um que lhes der uma justificativa para não pensar, qualquer um que lhes diga que é uma virtude, uma virtude altamente intelectual, aquilo que elas sabem que é um pecado, uma fraqueza, algo que desperta sentimentos de culpa. […] É assim que se consegue a popularidade.

 

 

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