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[Livro] A Visita Cruel do Tempo

Título: A Visita Cruel do Tempo (A Visit From the Goon Squad)
Autor: Jennifer Egan
Editora: Intrínseca

Fiquei um tempo sem saber o que falar sobre este livro aqui, então resolvi fazer de uma forma simples e direta e meditar um pouco sobre uma questão que ele levantou em minha mente. Este livro basicamente conta a história de diversas pessoas normais, diversos casos de pessoas com seus problemas pessoais e extrapessoais, suas atividades diárias, eventos corriqueiros e o constante uso de drogas em doses extravagantes. Ou seja, ele segue como uma coleção de excertos biográficos dos mais diversos, sempre ligados à música.

Há trechos da vida de uma mulher cleptomaníaca, dos componentes de uma banda onde o guitarrista mergulha nas drogas enquanto outro membro do grupo abre seu selo de gravação. Há a história da garota que seguiu viagem com um músico e foi abandonada no meio do caminho, e a história do repórter que tentou violentar uma entrevistada. Pontos em comum durante todo o livro é a presença da música como tema de fundo, usada como uma boa metáfora, mas fracamente exposta, mais ao final e a onipresença das drogas. Incrível, mais certo que a passagem do tempo é que todas as pessoas, sem exceção, usam drogas em quantidades muito maiores que um mero “consumo social ou recreativo”.

O livro é muito bem escrito, e possui inclusive um capítulo feito na forma de apresentações de slides (mal feitas), um gimmick certamente interessante. A autora, como repórter, tenta se aventurar em campos científicos avançados, falhando miseravelmente, mas isso enquadra-se bem dentro dos temas dos livros. O último capítulo inclusive é uma aventura no campo da ficção científica, uma mera extrapolação que diz que as crianças praticamente nascerão ligadas a tablets e antes mesmo de mamar pela primeira vez já estarão comprando músicas, clipes e tudo mais pela internet, movimento o capitalismo antes mesmo de conseguirem comer com a própria boca. Ah, e é claro que no futuro eles também usam drogas.

Ou seja, este livro é cheio de personagens interessantes e humanos em todas as suas características. E isso é tudo o que ele tem. As histórias se entrelaçam um pouco, mas não existe trama objetiva nem coerência de enredo. Então fiquei pensando: Bons personagens são fatores necessários para uma boa história, sem dúvidas. Mas isso não é suficiente. Uma história fica vazia e entediante sem personagens bons, mas personagens sem uma história ficam sem sentido, insípidos. Muitos podem argumentar “mas a vida é assim”, mas para deixar bem claro minha crítica, vou ser bem franco: ler este livro é como assistir Big Brother (só que um com permissão para uso de drogas). Tem gente que gosta, e usa o argumento acima. Eu não tenho curiosidade de expiar a vida dos outros.

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