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[Livro] Reconhecimento de Padrões

Título: Reconhecimento de Padrões (Pattern Recognition)
Autor: William Ford Gibson
Editora: Aleph

Eu realmente queria fazer uma resenha de Gibson aqui. Pra quem não sabe, ele é o autor da trilogia do Sprawl (Neuromancer, Count Zero e Mona Lisa Overdrive), que é uma das melhores séries de ficção científica que já li. Figura entre os melhores livros que já li. Tanto que nem segui cegamente a opinião do Arara quando ele disse que o livro não era tão bom assim, e fui comprar mais livros da Aleph na feira de livros da USP do ano passado. Engraçado que eu recusei participar novamente do sorteio de livros da Aleph, eu realmente já tenho quase todos os livros interessantes da Aleph. E não são poucos.

Então, por que não ir direto ao livro e à sua história? Veja bem, o Arara estava certo. É difícil imaginar como o mesmo autor, mesmo com seu estilo característico transparecendo em todos os livros, escrever tanto os melhores livros que já como também um dos piores. Não exatamente um dos destaques na lista de fracassos, mas definitivamente não chega a ser um daqueles que “não fede nem cheira”, caindo mais para a classificação ruim mesmo.

Não saberia muito bem falar qual é a história do livro, por que pelo menos até a página 80 não havia história nenhuma. Era apenas uma narrativa desconexa da vida trivial da protagonista, Cayce (Cayce, Case, aham…), que trabalhava com moda (no mundo atual), tem alergia a marcas registradas e é fangirl inveterada de uma série de vídeos virais disseminado na internet conhecido como “O Filme”. Talvez esse é o ponto de importância do livro, em que Gibson fala de virais e memes antes do surgimento do youtube; e ele também trata do 11 de setembro. Mas definitivamente ele poderia ter feito isso em um documentário ou inventar uma história para o livro. O livro só ganha corpo mesmo lá depois da metade, em que a protagonista é contratada por um magnata do mundo da moda para descobrir a origem dO Filme, e mesmo assim parece uma grande enrolação.

Foi difícil ingerir esse livro. Gibson é o poeta do movimento, essa tentativa dele de fazer uma descrição de todas as futilidades do mundo moderno, falar de todos os logotipos e “modernices” que aparecem na frente da protagonista o tempo todo é um fardo. Você começa lendo até achando engraçado ao encontrar coisas que você também conhecia de poucos tempos atrás, mas chega um momento que você pensa que está lendo um blog muito vazio e muito antigo. Não sei quem pode se agradar deste livro, talvez algum geek que realmente acredita que um dia um multibilionário da moda vai bater na porta dele e lhe dar fundos ilimitados para encontrar o criador do último meme… Gibson realmente foi muito otimista ao achar que os virais do cyberespaço seriam usados para disseminar cultura e informação. Problem?

Como bônus final, depois de finalmente ir chegando ao final consegui juntar as peças (reconhecer padrões?) da história. Ela é assustadoramente parecida com uma das sub-histórias da trilogia do Sprawl. Demorei para perceber porque era uma releitura de uma das sub-histórias mais sem sentido e esquecíveis contidas na trilogia. Parece mais uma paródia sem graça e mal feita. Mas é difícil saber qual era a real intenção do autor com o livro.

Não é por que é uma piada interna que ela deve ser engraçada... Pelo menos não para sempre...

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