Início > Análises > [Livro] O Lobo da Estepe

[Livro] O Lobo da Estepe

Título: O Lobo da Estepe (Der Steppenwolf)
Autor: Hermann Hesse
Editora: Bestbolso

O Arara já fez uma resenha desse livro, então pretendo não me alongar demais aqui. Acho que não preciso colocar muitos detalhes detalhes sobre sua forma e execução, visto que existem muitos estudos literários que podem discorrer sobre isso com uma profusão muito maior que eu. Para mim, basta dizer que a desenvoltura lírica do autor é realmente surpreendente. O fato de criticar a burguesia de uma forma incisiva garante a entrada dele nos livros de literatura, mas o premio nobel de literatura do autor se deve mesmo ao seu talento.

Ele segue um padrão dos grandes clássicos. A história per se, a primeira camada da narrativa, é quase vazia. Os fatos que ocorrem são bastante simples: um homem de meia idade solitário chega a uma nova cidade, conhece um quarto de dúzia de novas pessoas que abrem pra ele novos horizontes nas drogas e na prostituição fazendo com que sua antiga visão de si mesmo (um homem e um lobo da estepe dividindo um mesmo corpo) seja revolucionada.

Não é difícil de entender e até participar do grupo de pessoas que se fascinam com o livro. Boa parte das pessoas que se interessam com este tipo de literatura quase se vêm escritas no livro, quando é apresentado o tratado do lobo da estepe. Eu mesmo vi muito de mim mesmo lá, e também é um ponto de fortes e sarcásticas críticas à burguesia. Muitas pessoas se identificam com o livro, e por isso muitos gostam dele e o consideram importante.

Eu gostei do livro, mas não a ponto de me identificar tanto assim com ele, pelo menos em seu contexto geral. Notei que este livro faz uso de uma espécia de “auto-ajuda romanceada”, técnica empregada por muitos livros de sucesso de qualidade muito menor (livros como A Cabana e muitos do Paulo Coelho). A essência desta técnica é apresentar temáticas de auto-ajuda não na forma expositiva tradicional, mas em sim em uma história estruturada, em que o personagem desempenha o papel do leitor, e começa a ser apresentado às novas formas de encarar o mundo e a si mesmo para que posso se “auto ajudar”. Esta é uma forma muito mais eficaz, ao meu ver, de atingir ao público. Apresentar suas ideias de forma expositiva direta pode fazer com que alguns ouvintes se coloquem em forma defensiva; agora, se você apresenta um personagem com que sua audiência se identifique, que passa pelos seus mesmo problemas e que acaba encontrando soluções de uma forma romântica abre um caminho mais profundo e interior, sem que o ouvinte perceba. Essa minha visão do livro é comprovada pelo posfácio do próprio autor, em que ele diz que o objetivo do livro era a redenção.

Só que este livro não tem uma qualidade baixa. Ele é adulto, poético e incisivo, com temas muito mais fortes, uma linguagem muito mais ampla e soluções muito mais delicadas do que qualquer auto-ajuda contemporâneo. Ele discute temas como a pluralidade da alma humana, drogas e homossexualismo, temas normalmente evitados na maioria dos livros.

Para mim, um livro muito bom, quase uma leitura obrigatória. Mas não me marcou tanto por que talvez suas soluções já tivessem me encontrado antes de ler o livro, ou talvez por que eu justamente tenha notado seu caráter “redentivo”. E para mim a ilusão de Hermínia era óbvia desde o primeiro instante em que ela apareceu, rs.

  1. Nenhum comentário ainda.
  1. No trackbacks yet.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: