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[Livro] O Guia do Mochileiro das Galáxias

Título: O Guia do Mochileiro das Galáxias (The Hitchhiker’s Guide to the Galaxy)
Autor: Douglas Noël Adams
Editora: Sextante

Não gosto de sci-fi por que não gosto dos fãs de sci-fi.

– Anônimo.

É difícil analisar este livro. Eu já falei de expectativas por aqui, mas este caso foi um pouco diferente… Imagine que você por piedade dos deuses não sabe nada de um tal cantor chamado Justin Bieber, mas chega um dia que sua hipotética filha quer ir no show do tal cara e você recebe a missão de passar dias na fila do evento. Você não sabe nada do rapazote, e seu primeiro contato com ele foi passar alguns dias em um lugar desconfortável na companhia de fãs histéricas e descontroladas ainda mais desconfortáveis. Não importa se o cara é bom ou não, mas é bem provável que você vai pegar um pouco de raiva dele logo de cara.

Então irei contar como foi um pouco desses dias que passei na companhia do Justin Bieber da ficção científica…

O livro conta a história de Arthur Dent e seu amigo Ford Prefect (que Arthur veio a descobrir ser um alienígena que vivia disfarçado na terra a uns 15 anos) após a terra ter sido destruída para dar espaço para uma rodovia do hiperespaço. Eles se salvaram pegando uma carona clandestina em uma espaçonave Vogon, que odeiam caronas e os jogam no espaço (depois de darem uma palhinha de sua poesia tão horrível que era capaz de matar). Contra todas as probabilidades eles são salvos da morte certa graças ao Gerador de Improbabilidade Infinita que impulsionava a nave (roubada) de Zaphod Beeblebrox, atual presidente do império galático, que também contava com a companhia de Trillian e do icônico Marvin, o robô depressivo.

A história continua com a busca pelo mítico planeta Magrathea, que em tempos imemoriais era o berço de uma companhia que criava mundos customizados sob encomenda, enquanto somos apresentados a uma teoria da conspiração que envolve as criaturas mais inteligentes da terra (que não são os golfinhos, golfinhos são a segunda espécie mais inteligente da terra) e claro, a resposta para a pergunta fundamental sobre a vida, o universo e tudo mais.

O livro é muito sarcástico, com algumas piadas boas e boas ideias, como as divagações do cachalote e do vaso de petúnias, o gerador de improbabilidade infinita e muitas outras coisas, entre elas religião, ciência, sociedade e como uma boa pergunta as vezes é mais importante que uma resposta. Ou seja, o autor atira para todos os lados em suas ironias.

Ou seja, o livro é bom. Muito bom até, mas o problema não está no livro…

Derivando…
Uma coisa iria dizer na análise do livro A Cabana, e que pode ser estendido para outros livros é uma das causas que fazem você gostar de um livro ou não. Isto seria a capacidade de se identificar com o livro. Talvez você goste de um personagem, de sua personalidade ou simplesmente da forma que ele enfrenta as coisas ou mesmo apenas sua aparência e gostos. Talvez as situações apresentadas sejam parecidas com situações que você enfrenta no dia-a-dia, etc.

Ou seja, quando você vê um pouco de si mesmo na obra, você se identifica com ela e cria uma pequena ligação com a mesma (afinal, um pouco de você está lá). Por isso pessoas diferentes gostam de livros diferentes, por terem vidas e visões diferentes. Mas não apenas faz gostar de uma obra literária, se identificar também é o que faz você rir de uma apresentação de Stand-Up Comedy.

Ou é...

Lembro-me vagamente de um episódio de Os Simpsons em que o palhaço Krusty estava com sua carreira em declínio e começa a reclamar de sua vida. Todas as pessoas começaram a rir, e ele disse “Por que estão rindo? Eu apenas disse a verdade!”. Pois é, você ri por que encontra uma outra pessoa que passou pelo mesmo problema que você, basicamente.

Nada muito difícil de inferir, mas o ponto é: é mais fácil, e mais forte, se identificar com algo que corresponda que aquilo que você não gosta do que com aquilo que você aprecie. Basicamente, se você gosta de A e odeia B, vai gostar mais de algo que também odeie B do que apenas goste de A. E como o humor basicamente são ironias que tentam ridicularizar algo, livros satíricos normalmente fazem sucesso, e o tamanho do sucesso depende do alvo de suas sátiras. Se você odeia A, e ouve uma piada sobre A, automaticamente é fã da piada e, talvez, seu autor.

Talvez seja por isso que tantas pessoas estejam tão ansiosas a abrir as pernas para o Sr. Adams.Ele faz piadas boas sobre várias coisas. O exemplo óbvio é Marvin. Todo mundo conhece (ou é, sem querer admitir) alguém distímico, com seus constantes lamentos de “Oh Céus, Oh Vida, Oh Azar” e seus ocasionais surtos de ódio a todos os humanos.

Assim cresce a fila de tietes inveteradas. É difícil falar que o livro é bom quando existe um bando de fanboys se descabelando na fila 4 dias antes do show, pois você apenas estaria “entrando em ressonância” com o bando e apenas piorando a situação.

Ok, talvez você não fique atento às opiniões alheia no campo de literatura de ficção científica e esteja apenas com uma cada de “mas do que diabos ele está reclamando”. Bem, acho que o nojento e repugnante prefácio da edição que eu li é uma pequena amostra do que há de pior. Um bom livro, sim. Ideias muito boas e história bem escrita, sim. O “auge da criatividade humana no livro mais brilhante de todos os tempos”? …

PS: Não querendo criticar ninguém, mas depois de tanta enrolação só queria passar o aviso: Não importa o quanto você goste de algo (ou odeie), Não Entre em Pânico.

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