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[Livro] Fundação e Império

Fundação e ImpérioTítulo: Fundação e Império (Foundation and Empire)
Autor: Isaak Yudovich Ozimov
Editora: Aleph

Quem escreve a história dos homens?

Segundo livro da trilogia central da aclamada série fundação. Ele continua no mesmo clima do livro anterior, só que dessa vez o império moribundo, mais especificamente seu último “grande” general, Bel Riose, decide que a fundação plantada em Terminus, agora uma grande potência comercial, é uma ameaça. E mais uma vez encontramos a turma do pateta aprontando mais uma de suas trapalhadas que culmina com uma derrota vergonhosa do império. E chega de falar dessa primeira parte, por que é a partir da segunda parte deste segundo livro que a verdadeira história dessa série começa.

Como eu disse no post anterior, Hari Seldon criou a psico-história, ciência capaz de prever o comportamento de grandes massas humanas. Ia dizer mais coisas nesse post mas acabei resolvendo encurtar, mas pelo jeito vou ter que retomar um pouco do assunto agora…

Uma pessoa é uma entidade relativamente caótica e imprevisível, claro que cada um tem suas manias mas sua atitude exata é afetada por um número de varáveis tão grande (ou mesmo desconhecidas) que estamos diante de praticamente uma caixa preta. Agora, várias pessoas juntas tem um comportamento muito mais previsível. Alguns até dizem que uma multidão é uma entidade nova e diferente de seus constituintes. Ok, é ridículo mas tentarei explicar com um exemplo de probabilidade: imagine um dado de seis faces. Em condições normais, todas as suas faces são igualmente prováveis, e a chance de você ter o extremo inferior (1) é a mesma chance de obter o extremo superior (6), e a variabilidade do resultado é muito grande. Agora se você tomar dois dados, a situação muda um pouco. Para você obter um extremo, ambos os dados devem dar seus respectivos valores extremos (ou seja, pra você conseguir um 12, ambos precisam sair com um 6), e também ocorre que o valor médio da rolagem (7) se torna 6 vezes mais provável de ser obtido, pois várias combinações resultam neste mesmo valor, por exemplo, se um dado der 1 e o outro 6, teremos um 7, um 2 e um 5 somam 7 também, e assim por diante. Dois extremos opostos se somam em um valor central. Ou seja, um comportamento mais provável se destaca, enquanto extremos são inibidos. E estamos falando de apenas dois dados. Claro que pessoas são mais complicadas que dados, mas estamos falando da população inteira da galáxia.

Isso nos leva a conclusão fatalista de que uma pessoa não pode fazer nada para mudar o mundo… Será?

Finalmente encontramos algo que Asimov ainda não tinha colocado na história ainda: um vilão decente. Uma figura completamente enigmática e ainda mais desconhecida, o Mulo. Confesso que enquanto lia nunca encarei o Mulo como um vilão per si, ele parecia mais um “anti-herói” protagonista ou mais uma das situações problemas, mas cumpre bem o papel. Mas voltando ao assunto… Existem milhões de boatos sobre esse indivíduo, dizem que ele é um gigante absurdamente forte (daí sua alcunha), ou que ele tem poderes mentais e pode matar com um olhar, ou mesmo que ele é algum tipo de mutante… Mas a verdade é que ele é alguma coisa, menos um humano comum. Tanto que esse único indivíduo consegue conquistar um planeta inteiro sem uma guerra, uma única pessoa que é capaz de fazer a balança do mundo pender para um lado.

E é aí que a crise mora. A ciência de Seldon é uma ciência estatística, lida com milhões, o surgimento de um indivíduo desse tipo é um outlier tão único que não poderia ter sido previsto, ou mesmo se previsto, voltamos ao ponto de tentarmos prever as ações de uma única pessoa. O Plano de Seldon, que ditava o destino manifesto da Fundação errou nessa previsão, saímos do script pré-estabelecido, e agora temos que improvisar… Isso muda completamente a história, saindo daquele caminho claro e seguro que sempre leva a estagnação (a própria fundação estava tão acostumada com a ideia de ser pré-destinada que havia decaído em um governo autoritário e corrupto, e isto estava quase levando os comerciantes a uma rebelião se o Mulo não tivesse se intrometido).

Não dá pra dar mais muitos detalhes sem revelar mais do que devia, e já enrolei demais com minhas divagações probabilísticas (tinha escrito muito mais antes, mas tirei. Dessa vez eu mantive por que percebi que não daria para fugir de divagações…). Mas existe uma mudança de rumos no enredo, e a presença de ameaças mais factíveis. Ou seja: a história evoluiu para um outro rumo. Ainda bem, por que o outro rumo já tinha dado o que tinha que dar. O próprio clima muda um pouco, fica um pouco mais sério. E agora só falta ir ao terceiro livro e terminar a busca pela Segunda Fundação.

Quem controla os homens, controla sua história.

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