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[Livro] Fundação

Título: Fundação (Foundation)
Autor: Isaak Yudovich Ozimov
Editora: Aleph

Da mesma forma que as leis da mecânica quântica, em boa parte aleatórias, e seus inúmeros componentes indetectáveis se juntariam aos quatrilhões (e mais) para formar um único objeto plenamente determinístico em nosso mundo visível, será que se examinarmos um conjunto grande o suficiente de pessoas, em boa parte imprevisíveis, poderemos prever seu futuro?

Essa é a pergunta que a trilogia fundação tenta responder. Hari Seldon é o homem que criou a psico-história, ciência que prevê o comportamento de multidões da mesma forma que a física newtoniana prevê o comportamento de uma bola arremessada contra a parede. E com a essa ciência aplicada seu atual império galático, que domina toda a galáxia e sua imensa população, Seldon prevê a queda do império de 12 mil anos. Nenhuma novidade até aí, mas ele consegue prever a queda do império com bastante exatidão, dando inclusive quanto tempo de vida o império ainda tinha. E claro que para o alto escalão de um império tão velho e tão vasto, tal previsão não era apenas impossível, mas um sinal de traição. Seldon e todo o seu grupo de apoiadores é extraditada para o remoto e pobre mundo Terminus e um outro mundo no canto oposto da galáxia, coisa que Seldon dizia ter sido prevista e operada por ele próprio para o futuro de seus planos: a criação da fundação.

Isaac AsimovInicialmente o objetivo da fundação era reunir todo o conhecimento da humanidade para abreviar o período de barbárie que ocorreria depois da queda do império. E como um ponto essencial para o funcionamento da sua ciência é o seu conjunto amostral seja totalmente ignorante sobre esta ciência (e assim sobre seu futuro), nenhum psicólogo propagou seu conhecimento na fundação.

E assim a história se desenrola, com a pequena e inexpressiva fundação colocada em terreno hostil onde, da mesma forma que uma sopa esfria pelas bordas, os planetas primitivos não reconheciam mais o império lá nas fronteiras da galáxia, e queriam dominar aquele povo. Então surgem figuras notáveis como Salvor Hardin e Hober Mallow, que de forma indireta conseguem ajudar a Fundação a passar por cada uma das crises que ela enfrentaria, previstas por Seldon e posteriormente chamadas de “Crises Seldon”.

As crises e suas soluções são bastante interessantes e discutem como ocorre o equilíbrio, troca e tomada do poder entre diversos elementos, como o poder da força, o poder da religião e a religião do dinheiro. E apesar de tudo isso, o clima do livro é bastante leve e sua leitura, agradável.

Já li boa parte do segundo volume também, e adiei essa análise por que o finalzinho do livro é ruim, e me lembrava de alguma forma o d’Os próprios deuses. Queria entender o porque disso e que relação havia entre os dois finais. Cheguei a conclusão prévia de que Asimov não soube trabalhar seus vilões. Ele é excelente em fazer crises políticas e dilemas morais, teorias científicas e explorações filosóficas, mas quando uma pessoa deve fazer o papel de antagonista, a maior parte dos que encontrei agora faziam parte da turma do pateta. Os vilões do final dos dois livros são tipos tão imbecis que no final d’Os próprios deuses, o vilão quase não aparece e quando aparece é derrotado com uma única ação dos mocinhos: Chegar para o vilão e dizer “Aham, Cláudia, senta lá”. E todos viveram felizes para sempre. Neste livro a presença de um vilão só seria relevante mesmo bem no final, mas a atitude até agora é igual a de todos os vilões. Faltou aí trabalhar no vilão tão bem quanto se trabalhou nos mocinhos ou nas situações-dilema. Mas como eu disse antes, o que falta em um ponto abunda em outro.

Para Seldon, é mais simples que isso.

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