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[Livro] Fábulas do Tempo e da Eternidade

fabulas do tempo e da eternidade, segunda ediçãoTítulo: Fábulas do Tempo e da Eternidade (sic.)
Autora: Cristina Lasaitis
Editora: Tarja editorial

Pra quebrar um pouco a sequência da Aleph, resolvi ler outro livro escrito por uma mulher. E sim, brasileira. Se uma mulher escritora de ficção científica é raro, acrescentar o adjetivo brasileira a isso tudo reduz seu universo de discurso a tal ponto que ele se torna praticamente não observável.

Esse pequeno livro de qualidade artística bastante agradável contém 12 contos que versam sobre o tempo, fantasia e amenidades poéticas da vida. Gosto muito de contos, pois com eles eu posso desfrutar de início, meio e fim em pouquíssimo tempo, e um livro de contos parece ser mais curto doo que um romance contínuo. Mas livros de conto sofrem com a desvantagem de terem que contar toda uma história em um espaço muito mais reduzido, e não contínuo.

Agora sobre os contos. Em alguns contos de ficção científica ela acaba se focando demais nos termos técnicos da física (ela parece adorar física quântica), o que é totalmente comum em ficção científica, mas enquanto isso a história em si parece circular e não chegar a um ponto lá muito satisfatório (Além do invisível, Nascidos das profundezas, Assassinando o tempo, Viagem além do absoluto). Além do invisível além da cybercultura possui de quebra um romance legal. Viagem além do absoluto pode agradar aqueles que gostam das mais extrapoladas suposições científicas da ficção (eu), contando a morte do universo. Assassinando o tempo fala de uma teoria física que dizia que o tempo é uma ilusão. Nascidos das profundezas conta de um contato de uma civilização primitiva com outra muito mais avançada.

Revés alquímico fica mais para o lado da fantasia, contando sobre uma “tentativa” de fabricar o elixir da longa vida. As asas do inca também é sobre fantasia, mas trata sobre uma lenda inca.

Cristina LasaitisMas existem contos para tudo. De onde viemos, para onde vamos são observações de divagações de um velho filósofo do Nada. A outra metade é o sexto conto deve ser o mais curto, tendo sim um pano de fundo da ficção fantástica, mas é basicamente uma prosa poética muito bonita (esse conto me animou a prosseguir a leitura). Irmãos siameses conta a vida de dois irmãos gêmeos que possuíam praticamente um único corpo, com cada cabeça controlando uma das metades. Parênteses da eternidade combina o tema de amenidades com a ficção científica revelada no conto Assassinando o tempo, o que eu achei bem interessante.

Caçadores de anjos foi provavelmente o conto que mais me surpreendeu por ser uma fantasia medieval, que com certeza poderia render outras histórias ou livros inteiros. Por último, Meia-noite, um conto sobre ficção científica, mas dessa vez menos perdido nos nomes, mais longo e mais estruturado, que fala sobre uma inteligência artificial revoltada e lembra um pouco as obras de Gibson. Acho que neste último conto a autora acertou a mão na ciência da ficção.

Concluindo, pra mim o pior conto foi Assassinando o tempo, e o melhor foi Irmãos siameses. Não gostei de todos os contos, o que é não é uma surpresa visto que vivemos entre gregos e troianos de todos os gostos, mas como um todo o livro vale a pena, porque a autora escreve bem a ponto de mesmo os contos que não me agradaram não foram chatos de se ler.

La persistencia de la memoria

Impossível falar de tempo sem lembrar deste quadro.

  1. cristinalasaitis
    31/01/2011 às 11:17 pm

    Olá, fico honrada pela resenha, ainda mais sendo publicada ao lado da minha mestre Ursula K. Le Guin, e do meu livro de cabeceira, A Mão Esquerda da Escuridão!

    Para mim é muito interessante ver como a preferência dos leitores se divide ao longo dos 12 contos.
    Muito obrigada pelas críticas e comentários!

    Abraços
    Cristina

    • 01/02/2011 às 12:45 pm

      Saudações

      Nossa, que honra receber um comentário da própria autora! Não foi muito fácil fazer uma resenha de um conjunto de contos sem ficar muito longa e sem dar spoilers, mas espero que lhe tenha sido útil.

      Pra mim foi interessante ver como você foi capaz de escrever contos tão diferentes que giram em torno de um mesmo tema, e ainda me agradar com a maioria deles. Sua veia lírica é muito boa.

      Abraços,
      Paulo

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