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[Livro] Odisseia

Título: Odisseia (Οδύσσεια)
Autor: Homero
Editora: Abril Clássicos

Mal raio a filha da manhã, Aurora de róseos dedos, e eu me dispus à façanha de terminar a leitura do último canto deste épico poema, traduzido diretamente do grego em prosa para minha língua materna. Odisseia é um dos livros que se devem vir a mente quando se pensa em Clássicos com “C” maiúsculo, sendo um dos livros mais importantes para a cultura ocidental, “e, historicamente, é a segunda – a primeira sendo a própria Ilíada [também um poema de Homero] – obra existente da literatura ocidental, tendo sido escrita provavelmente no fim do século VIII a.C.”

Odisseia é uma espécie de sequência (ou consequência) do primeiro poema, a Ilíada, que conta a campanha militar dos gregos (aqueus) contra os troianos. Uma guerra de 10 anos que acabou com o famoso Cavalo de Troia, que foi um dos planos de Odisseu. A Odisseia conta como foi o retorno à terra natal, em Ítaca, do desditoso Odisseu, filho de Zeus, o senhor da Égide.

Uma coisa que me surpreendeu um pouco é que a viagem de retorno em si ocupa pouco espaço do livro, ou pelo menos bem menos do que seria esperado visto que este aparentemente é o ponto central do livro. Na verdade o ponto central do livro é muito mais a vida humana e sua relação com os deuses, com muito enfoque nas preparações, discussões, emoções e interações sociais.

O livro começa relatando as aflições do filho de Odisseu, Telêmaco, de aspecto divino, que vivia na casa de seu pai sumido a vários anos, e que agora estava dominada pelos pretendes ao casamento com sua mãe, que antes mesmo do casamento já abusavam de todos os recursos disponíveis e que pertenciam à família do rei de Ítaca, Odisseu, o que muito suportou. Um dia, a deusa Palas Atena de olhos verde-mar chega à casa e propõe uma jornada ao jovem em busca de informações sobre seu pai. Nessa jornada ele encontra grandes figuras e ouve suas histórias, mas sobre seu pai encontra pouco.

Somo então transportados para a gruta da ninfa Calipso, que visava tomar Odisseu, o conquistador de cidades, por seu marido, oferecendo-lhe inclusive a imortalidade. Mas Odisseu desejava mesmo voltar ao seu lar e sua amada esposa, que a propósito, foi-lhe fiel toda a vida. Mas os deuses pedem que Calipso libere Odisseu, e isso acontece. Ele então chega a terra dos feácios, aos quais conta toda a sua história de aventuras. E sim, ela tem tudo o que uma jornada precisa para ser chamada de Épica. Ele ganha os ventos de Éolo, enfrenta feiticeiras e monstros e literalmente vai e volta do inferno (na caso, Hades). Na sua viagem também se encontra uma das passagens mais célebres da literatura, quando o engenhoso Odisseu enfrenta o ciclope Polifemo, filho de Posidão, lhe cega o olho e ainda zomba, pronunciando seu nome como “Ninguém”, escapando assim das fúrias dos demais ciclopes, que interpelaram Polifemo sobre quem lhe havia feito aquilo, e ele responde “Ninguém”. E se ninguém lhe fez isso, não há nenhum mal.

O final do livro é sobre a chegada do herói a sua terra, finalmente. Ela na verdade demora muito mais do que parece, pois como foi dito, a casa estava tomada de jovens que destruíam seus bens. Muitos planos são formados, várias artimanhas são usadas por Odisseu, disfarçado de mendigo por Atena, para descobrir quem em sua terra ainda lhe era fiel. E aí a história se desenrola.

É um livro muito bom, inspirador. O fato de ter sido escrito em prosa ajuda muito a leitura, mas traços da poesia são claros, como vários trechos repetidos e mnemônicos, etc, que acabam sendo interessantes. O mais interessante mesmo na Odisseia é que ele conta a história de um herói que se destaca não apenas pela força, mas muito mais pela sua astúcia, na verdade, o mais inteligente dos mortais. Odisseu se livrava de todos os problemas contando com um bom plano e uma grande ideia. E é muito interessante notar que o homem mais inteligente do mundo recusou viver eternamente com uma deusa, preferindo voltar para sua velha esposa em sua terra natal.

Categorias:Análises Tags:, ,
  1. Quisso
    23/12/2010 às 7:15 pm

    Teriam Os Trapalhões sido influenciados por Odisseu com sua piada “à Didi” (“Meu nome é Ninguém”)?

    PS.: Uma trollada clássica!

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