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O Biscoito, a Maçã e a Estatística

that's the way the cookie crumbles

that's the way the cookie crumbles

Um dia eu estava em casa e meu pai trouxe um um saco plástico transparente com algumas coisas simples escritas, preso por um daqueles arames finos encapados e cheio de cookies de chocolate. Adoro cookies, adorei o fato de que aquela embalagem vir cheia deles e, pelo fato de meu pai ter comprado, deveria ser barato. Sim, era barato, era gostoso, mas o que me marcou foi outra coisa. A marca do cookie não era nada menos que Bauducco. O preço, a embalagem e o volume, incompatíveis com o normal que seria esperado de um cookie dessa empresa, era justificado por um detalhe:

Os biscoitos estavam quebrados, ou deformados, ou eram maiores, menores, mais claros, mais escuros ou qualquer outro pequeno detalhe que os deixavam fora do padrão “biscoito Bauducco”.

Eu adorei. Era gostoso e barato. O fato de estar quebrado, obviamente, não mudava absolutamente nada no gosto do biscoito. Apenas o preço e a “cosmética” da embalagem. Mas esses biscoitos não vendem em qualquer lugar. Não é possível ir em algum grande hipermercado e comprar a versão barata dos biscoitos. Existe uma certa vergonha em admitir que em seu processo de fabricação ocasionalmente surjam outliers, admitir que existam biscoitos quebrados, biscoitos que não atendam ao padrão esperado de qualidade.


Uma vez vi um programa de TV falando sobre desperdícios, mais especificamente sobre os desperdícios que normalmente acontecem com os produtos nas feiras e em casa. Imagine uma maçã amassada ou com um pequeno ponto em que está ruim. Você não precisa jogar a maçã inteira fora, obviamente; basta cortar fora aquela parte que é ruim e aproveitar o resto. Desperdício de comida é realmente um absurdo.

casseta

Será que dá pra salvar alguma coisa dessa maçã?

Mas vamos ver por outro ponto de vista. Quando você vai à feira encontra um monte de maçãs diferentes, mas existe um detalhe muito importante: Todas elas custam o mesmo preço. Você pode encontrar duas maçãs, uma inteira e outra com um pequeno amassado. Falando sério, que motivos você teria para pagar uma certa quantia em meia maçã se a maçã inteira custa o mesmo?

Mas existe mais uma coisa interessante nisso. Muitas vezes o próprio processo de seleção desqualifica certos candidatos. Sim. Muitas pessoas vão a feira em busca da melhor relação custo-benefício em uma fruta, por exemplo na maçã, em que você deseja se certificar se ela está firme e íntegra. E como você faz para conferir a mercadoria? Pegando, apertando, pois muitas vezes um exame visual não é suficiente. As “apertadas” não precisam ser fortes, realmente, mas uma imensidão de mãos executa repetidamente o mesmo processo. Poucas maçãs aguentam toda essa pressão…


Deixando as metáforas um pouco de lado, a um tempo atrás recebi um e-mail com mais ou menos o seguinte conteúdo:

Entusiasmo do candidato é o terceiro item de maior peso para contratação

O entusiasmo para a vaga de emprego é o terceiro item de maior peso na avaliação de um candidato durante um processo de contratação.

De acordo com pesquisa realizada pela Catho Online, em uma escala de um a 17, onde um é mais importante e 17, menos importante, o item recebeu nota média de 6,2, ficando atrás apenas da experiência técnica anterior relacionada ao cargo (5,2) e da formação acadêmica (5,5), conforme é possível observar na tabela a seguir:

Importância dos fatores nos processos seletivos
Itens Média
Experiência técnica anterior relacionada ao cargo 5,2
Formação acadêmica 5,5
Entusiasmo do candidato 6,2
Relacionar-se bem com os outros 6,5
Resultados alcançados anteriormente 6,9
Reputação das empresas em que trabalhou 7,5
Estabilidade empregatícia 8,3
Experiência anterior em supervisão de pessoas 8,4
Aparência pessoal 8,5
Resultados de testes de inteligência, competência, etc. 9,3
Nível salarial 9,3
Idade 9,8
Estabilidade familiar 10
Capacidade de usar a internet 10,3
Fluência em outro idioma 10,4
Experiência em empresas multinacionais 10,6
Número de promoções anteriores 10,9

Fonte: Catho Online

O que me chamou atenção não foi nem o tema central da matéria, e sim um pequeno detalhe. A pesquisa mostra que a aparência é mais importante que itens como competência, inteligência, etc. Comentei isso com um amigo e ele disse que “É mais importante do que o resultado dos testes. Esses testes costumam ser um lixo mesmo, faz um certo sentido não terem muita importância“.

Sim, esses testes costumam não serem dos melhores. Talvez testes não sejam a melhor forma de avaliação, mas… Será que apenas olhar para alguém é um método de avaliação melhor?

Categorias:Vazios
  1. 05/10/2010 às 9:13 am

    A maçã é um exemplo clássico do observador alterando o que está sendo observado. É a incerteza de Heisenberg.

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