Início > Análises > [HQ] A Torre Negra: Nasce o Pistoleiro

[HQ] A Torre Negra: Nasce o Pistoleiro

thegunslinger
nasce o pistoleiroTítulo: A Torre Negra: Nasce o Pistoleiro
Artistas: Jae Lee e Richard Isanove
Escritores: Robin Furth e Peter David
Editora: Panini

Mais uma revista com uma história de ambientação western, novamente o Weird West, mas dessa vez muito mais promissora que Priest (à primeira vista). Esta HQ é uma adaptação aos quadrinho de uma série de livros escritos por ninguém menos que Stephen King. Como ainda não consegui os livros, vi na HQ uma boa oportunidade de ter um primeiro contato com o universo da torre negra. Bem, contarei um pouco da história da revista, alguns spoilers inclusos, mas nem precisaria avisar isso, e logo vocês saberão por que…

A história conta o início do caminho de Roland Deschain, protagonista dos livros, um aspirante a pistoleiro super fodão, filho de um pistoleiro ainda mais fodão (Steven). A história começa com o Roland demonstrando o quão acima da média ele é, passando fácil alguns testes para se tornar pistoleiro e depois se encontrando com seu pai, que lhe informa uma série de conspirações acontecendo naquelas terras, lideradas por John Farson. Aí então começa a jornada do herói, com outros dois pistoleiros mixurucas se juntando ao nosso herói. É totalmente evidente que o papel desses coadjuvantes é apenas dar oportunidades de diálogo ao protagonista para que ele não fique sozinho, falando com o vazio durante a história. E não é só apenas isso, eles também servem para criar problemas para o nosso querido herói, que não poderia ficar apenas com os problemas que ele já tem. Durante a história ele conhece Susan Delgado, paixão à primeira vista, mas ela estava prometida em casamento a outro homem. Claro que isso não muda nada na paixão deles.

Pra resumir um pouco, a trama cresce ao longo dos números. Eles descobrem que um exército bem armado está sendo formado por Farson, que também controla a cidade por debaixo dos panos. Susan tem problemas com uma bruxa velha. Super armas podem ser usadas pelo exército. Uma armação é formada pelo xerife da cidade para incriminar Roland e seus amigos. Roland é absurdamente melhor que qualquer pessoa, conseguindo se sair bem em tudo, mesmo tendo 14 anos. E outras. Ou seja, a trama vai ficando cada vez mais complicada, são tantos plots criados, tantas pontas soltas sendo criadas a cada número que quando terminei de ler o número 6 (penúltimo número da série) não conseguia imaginar como todos aqueles ganchos poderiam ser resolvidos em um único número, imaginei que não seria possível, deveria haver algum número adicional. Mas não, são apenas 7 mesmo. Então, como toda a história foi resolvida assim de repente?

longo caminho pra casa

O coisa ruim

Elementar. Roland é tão bom, mas tão bom, que consegue enganar uma cidade inteira apenas apostando na sorte, sempre do seu lado; rouba um dos artefatos mágicos mais poderosos do mundo como se roubasse doce de criança e consegue derrotar um exército inteiro com menos de seis balas, um pé nas costas e ainda salvando a pele de seus amigos coadjuvantes. Para que tudo não seja apenas flores, o amor da vida de nosso herói morre de uma forma trágica no final. Tudo isso em menos de 40 páginas.

Ou seja, a história em si é muito ruim. Ela tem sim uma trama, mas é muito superficial, sem sal, é uma história muito mal explorada. Principalmente porque não tem graça ficar apenas vendo um personagem provar que nada é capaz de derrotá-lo ainda, pois depois da revistas ainda tem uma coleção de livros para viver.

Mas não só de enredo vive uma HQ. O cenário que ambienta a torre negra é fantástico, e algumas curiosidades dele são apresentadas no final da revista. Ele possui elementos de fantasia, como a torre negra, que é como uma conexão entre vários mundos, lembrando Planescape. Ele ainda possui uma tecnologia perdida que lembra a nossa misturada com um pouco de Steampunk, uma herança de tempos antigos perdidos (de um povo conhecido como “Great Old Ones”, nome igual ao usado pelos deuses monstros de Lovecraft). Sem contar as lendas, costumes, monstros e vários outros elementos que dão muita vida a este mundo. Ou seja, a Torre Negra é um cenário interessante.

Mas o grande trunfo dessa obra é, sem sombra de dúvidas, sua arte. Por este motivo, inclusive, que coloquei os artistas antes mesmo dos escritores. Os desenhos são incríveis, é uma revista para encher os olhos, uma obra de arte em quadrinhos.

Ou seja, se você deseja uma história profunda e intrigante, é melhor procurar outra coisa. Agora, se você quer ter um primeiro contato com um mundo que mistura western e fantasia de uma forma muito boa ou mesmo um artbook que segue essa temática, é uma boa opção. Nasce o Pistoleiro é apenas a primeira de outros seis arcos, que formam a “pré-história” de Roland Deschain. A editora Panini já lançou a segunda minissérie, constituída por 5 números. Mas eu acho que apenas os desenhos não pagam o preço da revista. Talvez compre apenas o último número, afinal, se ele seguir a mesma linha do arco anterior, só preciso dele para saber tudo o que acontece na história…

Dark Tower

Aproveite a arte. Isto é o que a história tem de melhor.

  1. Gabriel Burlandy
    26/12/2011 às 11:13 am

    Genial o roteiro, parece ser bem promissor

  1. No trackbacks yet.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: